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O que é Clubhouse e qual seu significado no mundo da comunicação?

10 mar, 2021 | Produção de Conteúdo, Redes Sociais

A era em que todo mundo quer palestrar, mas ninguém quer ouvir. Então para quem você está falando?

Em meio à um mundo onde a interação com o público e a humanização de marcas está em forte ascensão, afinal humanizar empresas gera confiança e credibilidade, surge na contramão tendências e redes como o Clubhouse, onde a interação com o público é extremamente limitada e totalmente controlada pelo “locutor” da mensagem.

Já parou para pensar no porquê essa nova rede social está fazendo tanto sucesso?

Seguindo a tendência do aumento de consumo de podcasts, surgiu uma rede social feita somente de aúdios, onde pessoas podem falam sobre os mais diversos assuntos, sempre ao vivo, com um grupo seleto de pessoas conversando enquanto o público consegue apenas ouvir.

O novo aplicativo que teve um grande “boom” nas últimas semanas tem sim seus lados positivos. Primeiramente a facilidade de ser algo feito ao vivo, sem necessidade de imagem torna a produção muito mais simples e prática. Também é possível acompanhar conversas muito legais sobre assuntos importantes, além do aprendizado que produtores de conteúdo sérios podem trazer.

Mas existe alguns fatores negativos importantes: nada disso fica gravado, nada é registrado para a posterioridade, ficando livre para falarem ali qualquer coisa sem precisar se preocupar com o que foi dito, muitas vezes disseminando Fake News, assim como apresentar discursos de ódio sem a preocupação com o “cancelamento”, pois nada que digam poderá ser provado.

Um reflexo da sociedade

Um comportamento da sociedade que diz muito sobre o porquê essa rede social vem ganhando tantos adeptos, pode estar ligado a uma necessidade enorme de falar, mas não querer ouvir.

O conteúdo que antes era produzido em demais redes sociais e com rápida interação com os seguidores através de comentários, respostas e reações, agora é dito em uma “terra sem lei”, onde quem acompanha aquele bate-papo tem praticamente a sua voz calada, já que só quem inicia a conversa pode decidir quem vai falar.

É uma forma de criar um distanciamento com o público, sem dar voz há quem tem algo a dizer, elitizando a comunicação, como se somente uma parte seleta da sociedade tivesse algo importante a ser dito, ou que é “digno” da palavra.

Essa problemática não tem a ver somente com o funcionamento do novo aplicativo em si, mas sim com o comportamento humano atual. Se isso se tornou tendência e está sendo usado de tal forma, é porque existe o público que escolhe por esse modo de produção e consumo de conteúdo.

Será que não existe um jeito melhor de usar a ferramenta de áudio ao vivo que seja mais democrática e segura?

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Pâmela Ribeiro

Pâmela Ribeiro

Cofundadora da Hiloou. Publicitária formada pelo UNISAGRADO, onde desenvolveu pesquisa sobre Experiência do Usuário voltado para sites institucionais. Vencedora do EXPOCOM Sudeste 2018 na categoria Outdoor, é formada como Técnica em Impressão Gráfica pelo SENAI. Foi premiada como uma das Mulheres do Ano de 2022 do Design Gráfico (Prêmio Ruth Kedar do Designerverso).